quarta-feira, junho 02, 2010

V PASSEIO CAMPESTRE EM MONTEMOR-O-NOVO - CORTIÇADAS DO LAVRE

PASSEIO EM TORNO DA CORTIÇA, CARVÃO E MOINHOS DE VENTO!

CORTIÇADAS DO LAVRE - MONTEMOR-O-NOVO



Caros Amigos,

Mais uma vez disfrutamos da rara beleza do nosso Alentejo, no trilho de actividades outrora comuns e que hoje somente povoam as nossas memórias e outras tendem a desaparecer.





Nem o mau feitio do S.Pedro que nos regou todo o dia, nos fez arredar pé neste dia á descoberta das voltas da Cortiça, dos fornos de carvão e dos moinhos de vento.
Acorreram ao convite mais de quatro dezenas de amantes da natureza e do nosso Alentejo, para descobrir mais alguns dos seus segredos e maravilhas.






A visita á Fábrica da Cortiça da Empresa RELVAS, SA, foi bastante interessante, onde fomos amavelmente recebidos pelo seu encarregado .
Ficamos a conhecer as voltas que a cortiça dá, até chegar ás nossas mesas a proteger os vinhos de excelência, os champanhes, "Möet Chandon" e outros requintes que gozam do privilégio de ter a cortiça por companheira.





Esta fábrica dá-se ao luxo de, pelo o terceiro ano consecutivo, arrebatar o primeiro lugar internacional, neste tipo de rolhas de Cortiça, é obra!





Conhecemos ainda a eficiência energética da fábrica, através da reutilização do pó da cortiça para o aquecimento da água nas caldeiras para a laboração, e ainda conhecer a utilização de um sem numero de outros subprodutos da actividade, permitindo que tudo ali seja aproveitado, sem gerar qualquer desperdício.















Ao longo do percurso a magnífica paisagem rural e as suas personagens, deslumbravam-nos, como se estivéssemos perante telas dos melhores Naturalistas do Séc. passado.







A calorosa recepção nos Fornos de Carvão da Sr.ª Filipa Páscoa, foi outro ponto alto do nosso passeio. Depois de caminharmos cerca de 3km pelos trilhos do Montado, tinhamos á nossa espera uma suculenta entremeada e febras, assadas no carvão de sobro saído dos fornos ainda quentes.



O convívio ao almoço foi divinal, onde cada um partilhou as suas iguarias com os demais, onde nem se notou que alguns se esqueceram do farnel, havia comida para mais 2 ou 3 dias. No final veio o Poejo da tia "Estina", acompanhado do bolo de noz e mel, que fez as delícias dos presentes.







Depois chegaram as palavras sábias da Sr.ª Filipa Páscoa, que nos falou do ciclo da lenha até chegar ao nosso churrasco, quantas voltas não dá, ela e o seu marido fizeram uma demonstração de como se tirava cortiça "á bóia" ou "á falca" e agora como foi mecanizada essa operação, reduzindo imensamente o esforço fisico e aumentando várias vezes o rendimento do trabalho de um tirador.



Depois mostrou-nos a técnica de arrumação da lenha dentro do forno, e demais operações por que passa a lenha, até produzir o excelente carvão, que chega aos churrascos dos restaurantes mais exigentes.





Os mais foitos quiseram experimentar, e digo-vos não se safaram nada mal, a Sr.ª Filipa já está a equacionar recrutá-las, para a sua equipa.









Depois de passar junto dos moinhos de vento, com tanta chuva, fomos forçados a acolhermo-nos no restaurante o Chaparral, para ouvir uma palestra sobre Molinologia pelo amigo José Matias, que a todos encantou.





Apesar do estado avançado de degradação dos moinhos, o especialista em Moinhos presenteou-nos com a reconstrução dos moinhos em imagem gráfica, tal qual como era há um Séc. atrás, quando esta actividade tinha um lugar de destaque, no quotidiano das populações rurais onde levavam o trigo, para trocar por farinha, para fazer a cozedura de pão semanal, para matar a fome a tantas bocas famintas, em cada família.





Depois foi a vez de se desvendar o segredo do lanche surpresa, "Tubaras com ovos" esta iguaria local só ao alcance de alguns fez a delicias dos participantes, bem regadas com o nectar tinto da Amoreira da Torre, hummmm, foi comer e chorar por mais, depois o licor de Mirtilo encerrou com chave de ouro, valeu!!!!



Ficámos todos mais ricos, ao conhecer e partilhar com os actores locais, esta sapiência impar, de algumas actividades que tendem a desaparecer do nosso quotidiano.



Os meus agradecimentos a todos quantos tornaram possível mais esta partilha com o nosso querido Alentejo, á Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, á Freguesia de Cortiçadas do Lavre, na pessoa do seu Presidente, pelo apoio logístico e patrocínio do lanche, á administração da Fábrica RELVAS, SA e ao seu encarregado, á Sílvia do restaurante o Chaparral, á família Páscoa proprietária dos moinhos de vento, ao molinologista José Matias pela lição que nos deu sobre o funcionamento e a importância que tiveram os moinhos até meados do sec. passado, e ao meu amigo Eduardo Raposo dirigente do CEDA, pela persistência em pôr de pé comigo esta iniciativa, a todos o meu sincero agradecimento!



A todos os participantes, bem hajam, e parabéns pela vossa preserverância em não arredarem pé, mesmo quando o tempo nos regou com mais intensidade.

6 comentários:

Bichodeconta disse...

O Alex mau feito tens tu que comes as tubaras com ovos e vens aqui fazer nhec nhec nhec a quem está longe e não lhe botou o dente..Bem fiz eu guardar a minha enxó, não sei se é assim que se escreve o nome da ferramenta com que se faz o descortiçamento das pernas de grilo como eu então lhe chamava.Essas voltas amigo, como tu muito bem sabes eu conheço de cor e salteadas, mas isso não retira o meu entusiasmo .Nunca me senti diminuida por dizer que trabalhei no campo, bem pelo contrário..Em mim aninha-se o próprio campo do qual farei parte até á eternidade.. Essa partilha só enriquece nos enriquece como seres himanos, a adesão será cada vez maior, e daqui a pouco um autocarro não dará para fazer esse passeio..As fotos são magníficas, o texto está perfeito, só assim percebo porque adormeceste a ouvir os passarinhos.Urdir o texto como se de tapete em tear se tratasse.Obra de quem ama o Alentejo tal como eu.. Um destes dias, vendo a casa, e vou a caminho do lugar que me viu nascer e crescer.Um abraço, Ell

Hugo disse...

Boa tarde caro Alexandre

muito obrigado pelo comentario

egualmente um grande abraço da França

Hugo

Ezul disse...

Belo texto e belas imagens que ilustram um passeio muito interessante. Confesso que a chuvada que caiu depois de almoço me aborreceu um pouco. Afinal de contas, ninguém gosta de chegar ensopada que nem um pinto ao fim de um passeio...mas valeu a pena, o percurso foi bem interessante gostaria de um voltar a fazer em dia mais ameno. As minhas fotos estão ainda guardadas, só publiquei as da égua.
Quem nos dera agora um pouco da frescura daquele dia!
E por onde caminharemos, no ano que vem?
:)

Maria Dias disse...

Olá...

Desculpe entrar aqui sem ser convidada mas quis dar uma olhadinha e gostei do teu blog e desta reportagem.Interessante esta fabrica das rolhas...Nunca tinha visto uma!

Boa noite

Maria

Marta disse...

Desculpa a demora da mnh visita meu querido...Adorei ver estas fotos e estes passeios...fica prometido que tenho que ir ai a um passeio destes.quero muito...temos mesmo que marcar...
Um beijinho grande...Vou andar mais ausente pk vou de férias...mas não me esqueço nunca das pessoas que estão no meu coração...

armalu disse...

Angola, Alentejo dois grandes amores em minha vida pode acreditar.
Vivi 8 anos no Baixo Alentejo, que amo muito Deus sabe quantas vezes me arrependi já de ter vindo embora, naquela época.
Que belas fotos e que passei de sonho ( para mim) a chuva foi marota mas não estragou, seu trabalho é notável, parabéns muito sinceros. Apareça sempre aqui em casa dá-mos muito gosto Boa semana de trabalho.